EPITÁFIO
O cimento não pergunta
o tamanho do pé.
Sempre admirei o processo criativo de Bitols. Leva menos de uma hora para escrever uma obra de arte.
No início, surpresa, pedi explicações do superpoder. Com naturalidade, respondeu que ir ao computador é a última coisa. Primeiro mastiga a ideia, namora sentenças, vivencia os conceitos, testa os ditos com amigos, com familiares, com o público em geral; depois registra as orações. Dorme sobre o assunto, acorda para a literatura. Quando chega a hora de derramar sobre as teclas, é muito veloz de chuva, basta digitar o que está pronto para servir. Depois, é só revisar, trocar repetições: filigranas do papel.
Incrível mesmo e é verdade. Todo o tempo caçando temas, paquerando novidades, bebendo história alheia, sugando piadas e reviravoltas. E digitando exageros, claro. Bem a seu estilo próprio.
Esses dias mesmo, contou que a editora da revista telefonou pra dizer que seu texto sobre a Gisele estava exagerado.
- Exagerado?
- É… Disse que estava meio demais.
- Hum.
Então fui conferir o tal artigo. É coisa de sete ou oito mil caracteres.
- Levou quanto tempo pra escrever, Bitols?
- Ah, umas duas ou três horas.
- Que the flash, hein?
Então fiz um cálculo rápido de quantas noites mais ou menos o Bitols vinha dormindo, comendo e respirando a Gisele pra permitir a formação da calamidade pública que é aquela coluna: deu uns dois séculos de punheta.
Sério. Nenhuma namorada no mundo deveria saber o que seu namorado realmente pensa sobre a Gisele. Eu sei que ela é linda e tals, não está em discussão a formosura da estimada conterrânea.
Mas uma coisa é saber que ele acha a alemoa deslumbrante em adjetivos gerais, sem maior gravidade. A questão é quando a gente descobre que outra mulher é sua diva, seu mantra mais demorado na língua.
Não é que o Bitols nunca tenha escrito sobre mim na Cláudia, sejamos justas. Verdade que publicaram uma cartinha de amor “coisa mais amor” que fez pra mim. Pouco mais de mil caracteres, bem gracinha, contando que gosto da Fafá de Belém.
Mas é que a Gisele do Bitols “é a perfeição da poesia superando o resultado da lógica”; “é a saudade de uma vida simples. Uma vida descomplicada. Sem censuras e ameaças”; “ela não é tudo, pode ser tudo, que é muito melhor”; “é o ideal do cotidiano. É a exuberância do comum”. E complementa: “Gisele Bündchen exige mais e mais atenção e não enjoamos”.
E muito mais você encontra na declaração explícita que o meu namorado fez para ela na revista feminina mais vendida do país.
Tudo bem: a gente tem que viver com as divas paralelas na vida deles, tá certo que sobre para elas todo esse sonho enquanto a gente suja a louça em casa.
Sobrevivi à leitura. Mas ele não.
Hahahaha. Coitado do teu Bitols Cinthya. Todo homem tem dessas musas né. Melhor A Gisele do que uma vizinha hein.
ResponderExcluirAgora, se aparecer uma querida atendente de loja com cara de triste e parecida com a Gisele, aí acorrenta uma bigorna aos pés do santinho.rsrsrs
Bejo
Querida Laisa,
ResponderExcluirAdmiro mulheres como tu, que compreendem, que estão acima...
Eu, diante de um texto desses pra outra mulher, mato mesmo.
Fazer o que?
Se fosse uma vizinha, beeeem: ai esse blog terminava, né?
Beijoooo
Cin
Haha!!!
ResponderExcluirAdorei!!! Pode até achar linda, mas ficar escolhendo a imagens, sonhando palavras para descrever e ainda levar a público!!!
Adiciono uma pedra no pé dele!
haha Cinthya, me senti vingada por vc. Eu vi o post da Gisele, e achei maravilhoso. Até comentei,,,
ResponderExcluirMas é de se ficar com uma pontinha de inveja por saber que ela causa tanto deslumbre em alguem.
Ponto para os dois. O texto dele ficou "exageradamente" lindo rs e para seu post de hoje.rs
quer dizer que a Gisele é a musa dele? não deixa barato não Cin. Conta pra nós, quem é o TEU muso?
ResponderExcluirhahaha
beijos
Também mataria, Cinthya, rs.
ResponderExcluirBjos
Que tal você fazer "logo" como "ghost writer" particular a Biografia do David Becckhan, Cauã Reymond, Brad Pitt, Reinaldo Gianecchini ou George Clooney. Estaremos vingadas!
ResponderExcluirafogamento?! Razoável...
ResponderExcluirMas eu ainda acho que, diante da Gisele, ele ainda gosta mais de guardar as SUAS roupas...
bjo
sou sua seguidora número 600.
ResponderExcluiraté agora, olhei os desenhos
quando der tempo eu quero ler tudo
bjk
fui
Conheci o blog e li todo no mesmo dia!
ResponderExcluirEstou ansiosa pela sequência de homicídios...
com moedor de carne,
caindo no fosso do elevador,
overdose induzida...
e acho que além de matandocarpinejar deveria ter a variável torturando carpinejar...
em cama de pregos
marteladas nos dedos
apagando cigarros pelo corpo
depilando com cera o saco escrotal...
SÓ COISA LEVE!
Cinthya,
ResponderExcluirMeu marido pergunta se você precisa de um comparsa para ajudar a matar o Carpinejar. Ele sempre fica acabrunhando quando pego os livros do Fabrício e me ponho a sorrir sem álibi, suspirando pela casa. É o caso agora, com Borralheiro. Ainda mais depois que escrevi um texto inspirado em, em face de. Tenho encontrado bilhetes ameaçadores dentro de casa. Anônimos. Meu marido esquece que, no apartamento, só moramos ele e eu. ;-)
http://www.palavraemfuga.com/2011/05/carpinejando.html
Bela reação, Cinthya! E bela realização, com o desenho e a justificativa dele (dele desenho).
ResponderExcluirO problema do Carpi deve ser insegurança. Até hoje ele ainda não acredita que te "ganhou". Daí a fuga para o passado, ou seja, Gisele. A beldade do momento (momento 2002, 2003, 2004) servindo de inspiração para o adolescente solitário.
Por outro lado, alguém devia mesmo tomar alguma providência em relação ao poeta (Carpinejar), e se possível estender essa providência a todos os colegas dele. Que tal dar-lhes também sapatas de concreto para fazerem companhia ao seu namorado? Já cansei de ler poetas, de Shakespeare traduzido a Manoel de Barros, mas até agora não consegui nem sequer imaginar qual é a deles, o que pretendem. São todos muito confusos, reticentes e desorientados. Às vezes fazem uma gracinha. Mas fazer gracinhas com as palavras o Millôr também faz, e nem porisso reivindica (ou reivindica?!!!) o título de poeta. Bom, como poeta Carpinejar não é mau frasista: gostei do seu (dele, Carpi) aforismo "O perdão é a melhor vingança". Mas uma frase é pouco para eu comprar o livro de um poeta...
Crônicas sempre impecáveis Cinthia. Conseguiu o ritmo do Carpinejar, além de sua própria ambientação verbal das situações, expressões que coloca e que eu não conhecia.rs Gostaria que vc tb fosse ficcionista para matar o Carpinejar todo dia, me acabo de rir com as justificativas para as mortes, as canalhices.. kkk
ResponderExcluirBem, estou lançando meu cd mês que vem, então vou deixar a indicação do blog, para quem quiser ouvir ok? É diferente, desafio os leitores a ouvirem a primeira canção...
Blog: http://felipecyntrao.blogspot.com/
Abraço
Nossa, Cínthya!!! Já adorava teus "pitacos" no Camarote da TVCOM, adorei conhecer teus escritos por aqui.
ResponderExcluirbjsss