O que é [Matando Carpinejar]


Para início de conversa, Carpinejar é Fabrício Carpinejar, poeta, jornalista, cronista e meu namorado, não necessariamente nessa ordem. Este blog é uma necessidade física.
Amar não é difícil como alguns profanam. Difícil é o desejo de controle. Não vejo nisso mal nenhum, já que me acompanha desde sempre. Chego a supor que isso exista desde criança. Mas a origem não tem importância e nem faz diferença.
A vontade de controlar o outro me visita com freqüência. De fato, visita a todos nós, mas alguns insistem em negar que aconteça com eles. Outros ficam envergonhados dos desejos de matança e vingança que sentimos, como se fosse possível não sentir tais coisas.
Olhar para esses pensamentos não fere ninguém, não causa estragos, não tem perigo.
A liberdade de pensamento é um direito legítimo. Mais que isso, é saúde ter a mente desobstruída, a imaginação solta.
No namoro, às vezes eu falo alto, com clareza, que “te odeio”, que “detesto que seja independente”, que “me apavoro que não me obedeça”. Tudo digo, já sorrindo do absurdo. Ele também ri, porque dentro dele o processo é semelhante. E não é sujo, nem feio, porque sabemos que essa vontade de domínio é o que mataria de verdade o sentimento. Deixaríamos de nos amar no instante em que um obedecesse ou se submetesse.
Imagino torturas e, na metade do desenho, já fico com saudade de amá-lo.
Relacionar-se é vocação, difícil e rara. A concentração é contínua, o trabalho é de artesão. Um desafio delicioso.
Para os momentos de fúria, quando *traduzir-se é uma questão de vida ou morte,
Será arte?
Será arte.
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*Ferreira Gullar